sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Salomés.


A princesa da Judéia, Salomé é um daqueles personagens do Novo testamento que tem uma passagem curta, mas com um grande valor nas encenações da Paixão de Cristo.

Há alguns anos venho representando esse personagem em Paixão de Cristo e sempre me incomodava essa acepção de que Salomé dançava e exigia a seu Tio Herodes o “seu presente” devido uma maldade genuína e manipulação da sua Mãe Herodias. Essa interpretação do texto bíblico ficou tão arraigada no consciente coletivo que se configurou normal que uma Princesa dance para um Rei e exija como recompensa a cabeça de um profeta numa travessa de prata.

Para a minha grande surpresa conheço um texto teatral de um Escritor famoso que dedica e solicita que sua Peça “Salomé” seja interpretada pela grande atriz Sarah Bernhardt. Fugindo de todas as ideias do que poderia ser a princesa de Judéia, Oscar Wilde munindo de sua genialidade foge dos clichês bíblicos e apresenta a sua protagonista como uma dançarina voluptuosa e capaz de tudo para conseguir realizar os seus desejos.

"Eis Salomé, oferecida como uma flor de pétalas rubras e brancas, carregando as sugestões de poesia, sangue e pecado que lhe deu Wilde. Há momentos em que a rosa não é apenas uma invenção da beleza, mas um apelo da vida..." (Dante Costa)
Tive o prazer de fazer leituras dramáticas deste texto e assim conhecer outra faceta de Salomé.

Uma garota que conhece um homem sujo, rude e asqueroso apresentado na peça como o Profeta Iokanaan, que mesmo perante a opulência e sedução incessante de Salomé se mantém indiferente à beleza desta.
Diante deste personagem que poderia lhe causar repugnância, a jovem se enfeitiça de tal maneira, que oferecida uma oportunidade cruel de vingança, ela se coloca como vilã para desfrutar do seu “objeto” de desejo, que o acaba levando-a à loucura.
Afinal, dizem os poetas que os apaixonados são insanos!
“- Tu não quiseste que eu beijasse a tua boca, Iokanaan. Pois vou beija-lá agora! Hei de mordê-lo com meus dentes como se morde um fruto verde. (...) Disseste-me más palavras. Disseste bem junto a mim, que eu era a lascívia e a baixeza; a mim, Salomé, filha de Herodias, princesa da Judéia!Eu estou viva e tu morto!Pertence-me a tua cabeça. Posso fazer dela o que quiser dá-la aos cães e às aves do ar. Quando os cães estiverem fartos, as aves acabarão de devorá-la...”

A Vida de um Nome…

Eu vou contar uma história de amor.
Eu vou contar uma história com um final triste….
É a históia do meu nome, ou melhor, da criação do nome Vanessa.

Essa é a narrativa de uma Mulher chamada Esther, que esteve entre duas almas predestinadas por Eros a ficarem juntas.
Ele, o escritor Jonathan Swift ( Autor do Livro “As Viagens de Gulliver”).
Ela, a dona do coração dele, a musa Stella. 

A reviravolta acontece  quando Esther descobre que seu amor antes correspondido por Jonathan não seria mais consumado. Então envia uma carta a Stella expondo  seu antigo envolvimento com o amado. E  Este num ato de aborrecimento e paradoxalmente respeito escreve a ex-amante um poema intitulado “Cadenus & Vanessa” ; se despede dela sem uma palavra  jogando aos seus pés este poema,  no qual preserva a intimidade dos antigos namorados através destes codinomes.
Um final triste para Esther que acabou fenecendo alguns meses depois.  

Mas o que posso dizer é que desse amor não duradouro surgiu este nome. Muitas “Vanessas” reconhecem seu nome como de origem Holandesa, e que também denota um gênero de Borboletas, mas antes de tudo é ligado a Esther que significa Estrela.
Significa também que de uma forma ou de outra ela inspirou o seu amado.
  
Aqui vai um trechinho do poema:
” … E disse: “Vanessa é o nome
Por que hás de ser conhecida pela fama;
Vanessa, pelos deuses inscritos:
Seu nome sobre a terra – não deve ser dito “.
Mas ainda assim a obra não estava completa,
Quando Vênus pensou em um engano:
Atraída por suas pombas, ela voa embora…

A Empatia da Arte

Para que convém a arte?
E por que algo emociona mais a nós do que a outros?
Será que cada um apreende de uma forma distinta e este processamento está ligado intimamente à cultura, experiências pessoais e ideologias?
Estamos ensaiando situações através de obras?
A réplica pode ser um sim na teoria, mas o que realmente seu coração responde?
Às vezes esqueço o motivo de gostar tanto de um trabalho artístico e depois quando “reencontro” com esta arte fica tão claro os motivos.

É como me sinto com o que Celine  (personagem de um filme) diz:
 
“…por que sempre sinto que sou anormal por não conseguir seguir em frente.
As pessoas têm um caso, ou até relacionamentos terminam e esquecem tudo. Muda como  trocam de marca de cereal.
Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive porque  cada uma tem qualidades específicas. Não dá para substituir ninguém. O que foi perdido está perdido.
Cada relacionamento que termina me magoa. Nunca me recupero.
Por isso, tenho cuidado quando me envolvo com alguém, porque dói demais.
Eu evito até transar porque vou sentir saudades de coisas mundanas daquela pessoa.
Tenho obsessão com pequenas coisas.
Talvez eu seja louca, mas, quando eu era menina minha mãe me disse que eu sempre chegava atrasada à escola.
Um dia, ela me seguiu para saber o motivo. Eu ficava vendo as castanhas caírem das árvores e rolarem na calçada ou as formigas atravessarem a rua ou a sombra de uma folha num tronco de árvore.
Coisas pequenas. Acho que com gente é igual.
Vejo pequenos detalhes específicos de cada coisa que me comovem e sinto saudades deles depois.
Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é uma soma de pequenos e belos detalhes.” (Before Sunset)